sábado, 23 de fevereiro de 2019





A obra nada mais é do que o diário de Helena Morley, pseudônimo de Alice Dayrell Caldeira Brant, escrito entre os anos de 1893 a 1895, na cidade de Diamantina- Minas Gerais. A ideia de escrever fora dada por seu pai, a fim de deixar memórias para os futuros netos. O período literário que ancora a obra é o Parnasianismo com o realismo miúdo da vida cotidiana, numa descrição objetiva do mundo, contemplando os objetos e cenas, isentos de subjetividade e idealização romântica.  O contexto histórico que permeia a história é a recente abolição da escravatura, havendo ainda negros que trabalham dentro da casa das famílias. Aliás, evidenciam-se traços de preconceito racial “o nosso João é um inglesinho perfeito; não pode parecer negrinho de senzala”, “com mais alguns você aprenderá a dobrar a língua para os brancos, negro sem-vergonha”.
Em se tratando da linguagem, a mesma é bastante coloquial e apresenta diversas expressões usuais da época “mas viver a gente veve de qualquer jeito”, “sinhá Helena, ocê quer jantar?”, e ditos populares “o que os olhos não veem o coração não sente”.
A história é narrada em 1ª pessoa, pela própria Helena, uma menina de 13 anos que não gosta de estudar, porém tem gosto pela escrita, e que tem 3 irmãos (Luisinha, Renato e Joãozinho), filhos de Alexandre e Carolina. O pai de Helena trabalha na mineração, entretanto já é uma época em que essa profissão não é mais gloriosa. Aliás, toda a família de Helena fez fortuna com a mineração, mas o seu pai, por não ter sorte em um investimento, é um simples lavrador que às duras penas mantém o sustento da família, a qual passa algumas necessidades como a escassez de alimentos e de roupas, fato esse que evidencia a desigualdade social, visto que todos os outros familiares são abastados, inclusive a avó de Helena.
Ademais, pela narrativa conhecemos alguns fatos da época, como a escrita com pena, a falta de energia elétrica; as brincadeiras da época que consistiam em pescar, correr e subir em árvores. Convém ressaltar que apresenta um enredo sem grandes complicações composto por diversas cenas divertidas, como as narrativas das traquinagens de Helena. É uma leitura obrigatória para o vestibular da FUVEST, fato que proporciona uma maior divulgação da obra pouco comentada nos livros didáticos.



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