Numa linguagem
contemporânea, fluida “A Vegetariana”, obra dividida em 3 partes- A
Vegetariana, A Mancha Mongólica, Árvores
em Chama-, conta a história de Yeonghye, uma mulher jovem e casada que
decide não comer mais carne após ter um sonho. Influenciada pelo poeta Yi Sáng (1910-37), com quem
compartilha o gosto por imagens oníricas alusivas à violência colonial, a
escritora coreana Han Kang escreveu A
vegetariana, romance que recebe uma nova tradução brasileira pela
Todavia (uma edição da Devir saiu em 2013 e está esgotada). O marido de Yeonghye é quem
conta a história na primeira parte intitulada “A Vegetariana”. Jeong, na
qualidade de narrador-personagem conta os fatos do seu ponto de vista,
caracteriza a esposa como uma mulher comum, professora auxiliar que trabalha como
digitadora de histórias em balões, e que tem o hábito de não usar sutiã, porque
o sufoca. Um sonho é o fator chave para que Yeonghye decida parar de comer
carne e, é essa decisão o fator gerador de toda a trama e em consequência dele
toda a vida pregressa da família de Yeonghye é rememorada: autoritarismo do
pai, submissão das mulheres, violência sexual.
Na segunda parte intitulada
por “A Mancha Mongólica” há uma epifania, ou seja, sensação de realização, no
sentido de explicar a essência das cores. Os sonhos de Yeonghye são a solução
da complexidade, solucionando as dúvidas sobre a origem da decisão de Yeonghye
de não comer mais carne. Essa parte da obra é narrada pelo cunhado de Yeonghye,
o qual é artista e pinta o corpo dela com flores, filmando tudo, inclusive a
sua relação sexual, o que serve como prova da traição no momento em que a irmã
de Yeonghye vai até a casa da irmã. Após ver os dois juntos e assistir a
filmagem decide chamar uma ambulância para os dois.
A terceira parte “Árvores em
Chamas”, narrada em terceira pessoa, relata a internação de Yeonghye e nos
entremeios há flashbacks de memórias da irmã de Yeonghye que relembra do
autoritarismo do pai, da falta de amor e atenção do marido, finalizando a obra
de maneira aberta.
✊✊✊ Eu gostei, entretanto é um tanto perturbador!

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