sábado, 23 de fevereiro de 2019

                        ⇌ Vocês já leram ao romance psicológico "A Vegetariana"?


Numa linguagem contemporânea, fluida “A Vegetariana”, obra dividida em 3 partes- A Vegetariana, A Mancha Mongólica, Árvores  em Chama-, conta a história de Yeonghye, uma mulher jovem e casada que decide não comer mais carne após ter um sonho. Influenciada pelo poeta Yi Sáng (1910-37), com quem compartilha o gosto por imagens oníricas alusivas à violência colonial, a escritora coreana Han Kang escreveu A vegetariana, romance que recebe uma nova tradução brasileira pela Todavia (uma edição da Devir saiu em 2013 e está esgotada).  O marido de Yeonghye é quem conta a história na primeira parte intitulada “A Vegetariana”. Jeong, na qualidade de narrador-personagem conta os fatos do seu ponto de vista, caracteriza a esposa como uma mulher comum, professora auxiliar que trabalha como digitadora de histórias em balões, e que tem o hábito de não usar sutiã, porque o sufoca. Um sonho é o fator chave para que Yeonghye decida parar de comer carne e, é essa decisão o fator gerador de toda a trama e em consequência dele toda a vida pregressa da família de Yeonghye é rememorada: autoritarismo do pai, submissão das mulheres, violência sexual.
Na segunda parte intitulada por “A Mancha Mongólica” há uma epifania, ou seja, sensação de realização, no sentido de explicar a essência das cores. Os sonhos de Yeonghye são a solução da complexidade, solucionando as dúvidas sobre a origem da decisão de Yeonghye de não comer mais carne. Essa parte da obra é narrada pelo cunhado de Yeonghye, o qual é artista e pinta o corpo dela com flores, filmando tudo, inclusive a sua relação sexual, o que serve como prova da traição no momento em que a irmã de Yeonghye vai até a casa da irmã. Após ver os dois juntos e assistir a filmagem decide chamar uma ambulância para os dois.
A terceira parte “Árvores em Chamas”, narrada em terceira pessoa, relata a internação de Yeonghye e nos entremeios há flashbacks de memórias da irmã de Yeonghye que relembra do autoritarismo do pai, da falta de amor e atenção do marido, finalizando a obra de maneira aberta.

✊✊✊ Eu gostei, entretanto é um tanto perturbador!




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