- A história se passa na Inglaterra de 1818. Há um capítulo inicial, datado de 1815 em que se inicia a narrativa de Jason – personagem principal masculino, dotado de um tremendo mau humor e cinismo. Além de se considerar um homem sem princípios.
Essa trama é construída por redes que se entrelaçam e culminam a um final emocionante. Todos os personagens estão ligados por laços do passado que se reforçam no futuro.
Bem, mas vamos falar sobre a personagem feminina, Victória, que vira a casa de Jason, de pernas para o ar, literalmente. Uma jovem de 18 anos que após perder os pais num acidente de carro, se vê obrigada a morar na casa de um tio Duque, longe de sua irmã Dorothy, visto que a bisavó, Condessa de Claremont, não a deseja em sua casa, devido a sua semelhança com a mãe Katherine. A recepção de Vitória não foi nada convencional. Após seis semanas num navio, a mesma precisou contar com a ajuda de camponeses para ser conduzida até a casa do Duque de Atherton, mas para sua infelicidade acaba sendo recebida por Jason, que não a desejava em sua propriedade, e fez questão de não esconder isso. Sentindo-se desamparada, ela desmaia e é carregada por ele até o cômodo onde seria o seu quarto. Neste momento, a vida de ambos vira de pernas para o ar. Um típico casal “cão e gato” se forma. A todo o momento ambos se provocam e alfinetam-se. Victória apresenta uma personalidade peculiar: doce, mas determinada e teimosa, qualidades que herdara da mãe. Com o queixo sempre empinada dá as respostas mais ferinas possíveis à Jason, quando o mesmo a provoca. Já imaginam no que isso irá desembocar, não é mesmo?! Mas não se engane ao pensar que será um percurso fácil. Não mesmo...Jason tem marcas profundas de um passado infeliz, retratado pelo seu cinismo amargura.
Mas, vamos abordar sobre o pano de fundo da narrativa. Se passa na TON, como era designada a alta sociedade inglesa. Isso concede à trama, um ar de Gossip Girl. A fofoca rola solta pela cidade, seja no jornal Times, seja pelos mexericos das damas nos mais nobres salões de festas, teatros e óperas.

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“A Ton contava com inúmeras regras de comportamento, que, por sua vez, possuíam uma longa lista de exceções”.
“Os casamentos da Ton, na sua maioria são vazios, insatisfatórios e superficiais”. Casamentos arranjados para reforçarem laços entre a nobreza; para manterem seus títulos de nobreza ou então, para a procriação. Era raro haver casamentos por amor.
Além disso, era comum ambos terem amantes.Tanto homens como mulheres eram vistos com outros parceiros. Sobre essa questão, nas voz da personagem Victória, a autora apresenta uma crítica feroz. Victória não deseja ter um casamento como vira na Ton, na maioria das vezes. Desejava ser uma companheira para seu marido, ter sua companhia nos eventos a que fosse, ter sua companhia nas refeições. Enfim, ter um casamento feliz.

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Outro ponto que Judith McNaught aborda em “Agora e Sempre”, é sobre a questão dos títulos de nobreza, sobre o significado de cada um:
“Tecnicamente, os duques são “príncipes”. Pode parecer que a posição do príncipe seja superior à do duque, mas devo lembra-la de que os filhos da realeza já nascem príncipes, mas são elevados à categoria de duques... – Logo após o duque, vem o marquês. Um marquês é herdeiro de um ducado. Então, vem o conde, o visconde e, finalmente, o barão”

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Sobre os pronomes de tratamento:
“Quando falar a um duque, deve chama-lo de “Alteza”. Nunca dirija-se a um duque como “milorde”. Uma duquesa também deve ser chamada de “Alteza”. Contudo, você pode se dirigir a todos os demais como “milorde” e suas esposas como “milady”.
Por todos esses aspectos, Judith McNaught nos dá uma aula sobre a alta sociedade inglesa, o que justifica a obra como sendo um romance histórico, sendo premiado, inclusive como o melhor na categoria. Claro, que devemos considerar a época que está sendo retratada. Eu, particularmente, senti-me incomodada em várias partes da obra, algo que se dissipou quando olhei pela perspectiva da época. “Agora e Sempre” é sem dúvida, um romance histórico que merece ser lido. A autora Judith McNaught não me decepcionou com sua narrativa.

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